COM BOLSA DE ESTUDO DA AGAP/ES, MIQUIMBA SE FORMA, PASSA NA OAB E QUER SER JUIZ
Ex-jogador campeão na desportiva se forma em direito e quer ser juiz

FONTE: GAZETA

Publicado em: 21/10/2016 - 02h23 - Atualizado em 21/10/2016 - 09h36
Autor: André Rodrigues | Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.

Revelado no Brancão e com passagem pelo Flamengo, Ednardo, o Miquimba, abandonou o futebol em busca de uma vida melhor

altA única lembrança do futebol são os recortes dos jornais e as fotos antigas que estão na estante. Ao lado, livros didáticos de espessuras variadas tomam conta e não deixam dúvidas: o esporte foi chutado para escanteio, e a vida acadêmica assumiu o protagonismo da história. Uma casa com poucos itens ligados ao futebol é comum, mas não quando é a moradia de um ex-jogador, que teve uma vida dedicada ao esporte durante anos, mesmo que ele tenha trocado os gramados pela sala de aula, o técnico pelo professor, e o estádio por uma empresa. Mas e quando isso acontece não depois de pendurar as chuteiras, mas quando ainda havia tempo para desfilar seu talento?

Ex-companheiro de Sávio, Djalminha e Marcelinho Carioca no Flamengo durante 1991 e 1992, Ednardo Souza Moura, agora com 38 anos, como forma de explicar a habilidade com a bola nos pés, começou no futebol de salão. Nos primeiros anos, defendeu o Rio Branco (1988), onde cumpriu todas as etapas na base até estourar como atleta profissional, após uma passagem pela Desportiva (1990). Se destacando no Espírito Santo, Ednardo, mais conhecido como Miquimba, se transferiu para o Atlético-PR (1996). Em 2000, retornou para a Tiva para sagrar-se campeão capixaba naquele ano, inclusive fazendo um dos gols da final contra o Serra (confira o vídeo logo abaixo).

Além disso, atuou em países como Bélgica (2002), Dinamarca (2003), Irã (2005) e Singapura (2009). “Minhas andanças pelo mundo me rendeu muitas experiências importantes para a vida. Conheci países, viajei, aprendi outros idiomas e ganhei títulos. Fui campeão nacional no Irã. Fiz amigos no futebol, entre eles Sávio, Ricardo Pinto, Paulo Rink e Oséias”, contou Miquimba, que fala inglês e francês.

E quando parecia que daria – naturalmente – continuidade à carreira, decidiu largar o futebol, em 2010, para fazer supletivo. Isso porque, ele havia parado de estudar na 8ª série. Hoje, o veloz e ousado ponta esquerda é aluno do décimo período do curso de Direito.

“Antes eu não sabia a importância da educação. Na verdade, nunca tinha estudado realmente. Resolvi estudar para tentar mudar meu destino. Fiz supletivo durante um ano, após isso fiz o ENEM e entrei na faculdade em 2012. Recentemente passei na OAB e fui contratado na empresa onde era estagiário”, explicou.

O mundo do futebol permitiu com que Miquimba comprasse carros importados. A falta de orientação levou o ex-atleta a perder todo o dinheiro que conquistou. Atualmente, ele percorre de bicicleta cerca de 15km, de Cariacica ao Centro de Vitória, para poder trabalhar. Para manter os gastos com os estudos, trabalhou de garçom e vigilante.

“Perdi dinheiro porque investi errado. Apliquei em ações sem conhecer o mercado, montei uma lanchonete sem gostar de fazer isso. Não tive pessoas para me ajudar a pensar minha vida e os amigos falavam o que queriam e eu acreditava”, conclui.

Jogador, garçom, vigilante, advogado e... juiz federal

Miquimba nunca permitiu que palavras negativas entrassem em sua mente. A personalidade forte e a vontade de vencer na vida o transformou em um campeão na vida. Faculdade, curso de idiomas e gosto por leitura. Assuntos e rotinas naturais, não fossem estes os interesses de alguns jogadores de futebol. Os ingredientes que formam o estereótipo do boleiro brasileiro não comportam essas características, destoantes do que é visto nos clubes. Por isso, situações constrangedoras, de intimidação e discriminação já fizeram parte do dia a dia dele.

altMorador do bairro Vila Capixaba, em Cariacica, Miquimba soube aproveitar as oportunidades que o futebol pôde oferecer. Acumulou conteúdo e cresceu culturalmente. Só não contava que o seu conhecimento levaria seus sonhos além do imaginado. O objetivo no momento é: “me tornar um juiz federal”.

“É o que eu penso em fazer no futuro. Quero entregar meu trabalho de conclusão de curso, me formar, dar continuidade ao trabalho e advogar bastante para ir crescendo como profissional. Entretanto, pretendo ir além. Já comecei a estudar para fazer concurso. Minha meta é ser juiz federal. Chego lá”, afirma.

Para que Miquimba continue batalhando, apoio não falta. A esposa Viviane Vogas, de 33 anos, é a principal incentivadora. O casal tem dois filhos: Rebeca, 10, e Nicola, de três anos. Receba, aliás, que já venceu um concurso de poesia da escola onde estuda, quer ser igual ao pai. “Meu pai é inteligente e o tenho como exemplo. Ele sempre diz que é para eu ser uma boa aluna e isso me motiva”, finaliza Rebeca.

Disponível em: http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2016/10/esportes/futebol_capixaba/3988222-ex-jogador-campeao-na-desportiva-se-forma-em-direito-e-quer-ser-juiz.html
 

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